Diferenças Entre Exames De Sangue E Do Líquor No Diagnóstico De Doenças Neurológicas

Diferenças entre exames de sangue e do líquor no diagnóstico de doenças neurológicas

Pacientes com suspeita de doenças neurodegenerativas e outras manifestações neurológicas que exigem a coleta e o exame do líquor quase sempre perguntam: “Isso é mesmo necessário? Não posso investigar pelo sangue?”

Isso geralmente acontece porque as pessoas temem a coleta do líquor, realizada através de uma punção lombar. De fato, a punção lombar requer alguns cuidados e pode gerar um certo desconforto que normalmente é passageiro. 

Mas, neste artigo, vamos mostrar porque o exame do líquor é tão importante na investigação diagnóstica, assim como o exame de sangue, em paralelo (coleta pareada), pode ser necessário para o diagnóstico e monitoramento de doenças do sistema nervoso.

Nos acompanhe na leitura.

As diferenças entre exames do sangue e do líquor

Os exames de sangue e de líquido cefalorraquidiano (LCR) são usados para diagnosticar diferentes tipos de doenças neurológicas.

Veja as principais diferenças:

  1. Amostra: O exame de sangue envolve a coleta de sangue arterial ou venoso, enquanto o exame de líquor (LCR) envolve a coleta de fluido cerebroespinhal por meio de uma punção lombar.
  2. Informação fornecida: O exame de sangue pode ser usado para identificar biomarcadores sanguíneos que sugerem uma doença neurológica ou uma desordem sistêmica, enquanto o exame de líquor é mais específico para avaliar as possíveis doenças do sistema nervoso central, incluindo infecções ou inflamações do cérebro e da medula espinhal.
  3. Precisão: O exame de líquor fornece informações mais precisas porque o líquor circula em íntimo contato com todas as estruturas do sistema nervoso e seus componentes refletem o que está acontecendo em tempo real nas estruturas nervosas. Já o exame de sangue é mais útil para avaliar o funcionamento geral de todos os sistemas do corpo humano, podendo ajudar no monitoramento de doenças sistêmicas e neurológicas,  através de testes muito  sensíveis capazes de detectar biomarcadores relacionados a patologias do cérebro e outros sistemas. 

Avaliação do sangue

O diagnóstico de uma doença neurodegenerativa não é simples. Ainda não existe um  teste exclusivo capaz de definir o diagnóstico das doenças neurodegenerativas mais conhecidas e estudadas, especialmente através de um exame de sangue. No entanto, avanços metodológicos ocorreram e alguns biomarcadores podem ser detectados no sangue e colaboram na vigilância, diagnóstico e monitoramento da progressão de doenças neurodegenerativas, como a Doença de Alzheimer.

Em geral, o exame de sangue pode apoiar o diagnóstico (diagnóstico diferencial com outras patologias) e ser útil para avaliar a progressão dessas doenças, mas geralmente é utilizado em conjunto com outros testes, como exame do líquor, exames de imagem (ressonância magnética) e outros  exames neurofisiológicos. 

E quanto ao líquor?

O exame do líquido cefalorraquidiano (líquor) é fundamental no diagnóstico etiológico (detecção de agentes infecciosos, biomarcadores de inflamação e neurodegeneração) de várias doenças que afetam o sistema nervoso, incluindo:

  1. Meningite: Infecção das meninges, camadas externas do cérebro e da medula espinhal
  2. Encefalite: Inflamação do cérebro causada por vírus ou outros agentes infecciosos
  3. Esclerose múltipla e outras doenças autoimunes do sistema nervoso que podem afetar diferentes partes do cérebro e medula espinhal 
  4. Doença de Creutzfeldt-Jakob (doença priônica): doença neurodegenerativa rara, que cursa com a presença de proteína anormal (proteína priônica)
  5. Carcinomatose meníngea: disseminação de células malignas (câncer) nas meninges

Em alguns casos, o aspecto do líquor visualizado no momento da coleta,  já pode indicar alguma condição neurológica. Em condições normais o LCR é límpido e incolor (transparente), com aspecto de “água de rocha”. Quando apresenta-se “turvo” é indicativo de uma infecção ou inflamação nas meninges (meningite). Quando o aspecto é hemorrágico, pode sugerir um sangramento no SNC. 

O exame de líquor é uma ferramenta valiosa para ajudar a identificar e monitorar diferentes tipos de doenças neurológicas. No entanto, ele também precisa ser correlacionado com outros testes, como exames de sangue e neuroimagens, para um diagnóstico preciso e conclusivo. 

Conclusão

Na Saúde, “tempo é cérebro”. O diagnóstico, precoce e preciso, é crucial para prevenção de sequelas e mortalidade, especialmente nas doenças do sistema nervoso. Por isso, as pesquisas avançam cada vez mais no sentido de identificar biomarcadores, tanto no líquor como no sangue, que possam colaborar na prevenção e diagnóstico precoce de doenças neurológicas, assim como nas estratégias de tratamento e controle do processo patológico. 

Aqui, vale ressaltar que a punção lombar deve ser realizada em ambiente clínico, com médico e profissionais especializados, e atendimento humanizado. 

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